Olhei para os meus textos antigos. Alguns ainda em blogs que fiz que, parados no tempo, registram a minha escrita desengonçada da época, ainda que me esforçasse para escrever. O que havia nesses textos, que há nos de hoje, era o que me levava a fazê-los: inquietação. Ainda que as palavras fossem inadequadas (que desconhecesse isso e achasse todas elas inquestionavelmente certas), escrevia com vontade. Eu imaginava que escrevendo tinha uma missão ou fazia minha missão a escrita escrevendo, que descobrira isso e que não tinha a esse destino mais escapatória. Tinha que escrever e tenho ainda que fazer isso.
A falta de leitores ou o silêncio desses, se houvesse eles, talvez a timidez ou a inexistência só, depois me trouxe a verdade sobre a minha escrita. Escrevia para mim. A minha missão de escrita salvava apenas o meu mundo, e isso não era pouco, menos: era tudo. O universo me aparecia em uma vocação, a minha vocação. Como falar que a casa é minha, o filho é meu e ter a essa vocação de escrita mesmo orgulho. Adoração, mais que isso.
Soube, então, nesse dia de verdade em diante, que amava fazer isso, que mesmo que fosse só para mim continuaria a fazer com vontade. Continuo. Com minhas incertezas, com minhas dúvidas, meia-dúzia delas superadas outras mais inquietadas, retomo o blog. Olho para os textos antigos, alguns nessa página até, e os julgo sobre alguma propriedade de que sei muito mais que antes. Acontece que melhorados, ou inacabados ou ruins, são os que fiz até aqui. O melhor de mim no momento que os escrevi. A minha salvação, sempre, em qualquer tempo.
De mim inquieta
Para mim mais quietada
(alguém no meio),
escrevo.